ROSA
A HISTÓRIA DE UMA FLOR
A FUGA:
ou retirada estratégica
Era o primeiro mês do verão de 1835, mais precisamente o dia 24 de janeiro. A conspiração, tanto preparada, teve que ser antecipada. Mas havia necessidade de lutar. Nada estava perdido.
Luiza afirmou que os planos garantiriam a vitória e a liberdade tanto almejada. Recordou os momentos de liberdade vividos em seu reino. Lembrou de sua luta afrente de seu povo contra os invasores brancos. Lembrou a traição de outros nações, encantadas pela visão de puder único, isto é, um só deus. E terminou afirmando que tudo isto lhe dava força para ir em diante.
Alcindo ponderou que naquele momento seria importante preservar a vida da Rainha, Luiza, para outro momento. Todos presentes naquela noite conturba avaliaram que Luiza tinha que partir.
Alcindo, trabalhava nas docas descarregando cana. Por isso, sabia da partida naquela noite de um navio carregado de cana para o porto de Campos. E que poderia alojar Luiza, sua família e alguns combatentes naquele navio.
Dito e feito! Luiza partiu, com ela seus filhos. Dandara, a mais velha, tinha a época quatorze anos. Seu irmão caçula de quatro anos ficou com sua tia Rosa, que lhe tinha muito afeto. Acompanhada de um pequeno grupo de fieis, Luiza escapa do cerco e se abrigam em um dos porões do navio.
A saída de casa em Nazaré não trouxe dificuldade. Auxiliada por Alcindo que conheci muito bem o caminha que fazia quando ia trabalhar. Do fundo da Casa do Barão de Sauipe, onde a Nega Lucia, escravizada da baronesa, também participante da conspiração, deu-lhe passagem, atingiram o vale Nazaré, subiram pela escarpa que vai dar no Barbalho.
O forte está praticamente vazio, pois as forças que o protegiam foram deslocadas para um possível combate. Luiza propôs tomar o forte e estabelecer uma ponta de lança, mas em rápida discussão o grupo avaliou que, naquele momento a possibilidade de vitória era bastante incerta.
Rapidamente seguiram pela Ladeira do Canto da Cruz. Evitaram, por este trajeto a passar pela Fonte do Baluarte. Local bastante frequentado pelos ganhadeiros que vendiam água para os moradores da redondeza. Atingindo em pouco tempo o Porto de Salvador.
O
porto estava vazio, com aparência de abandonado. Mas Alcindo tinha conhecimento
de seu funcionamento. Conhecia os seguranças da noite. Naquela noite era o
forro Damião que fazia a segurança. Não foi difícil convencê-lo a deixá-los entrar.
A entrada no navio não teve dificuldade, pois Damião tinha total conhecimento
dos barcos que partiam aquela noite.

Nenhum comentário:
Postar um comentário