terça-feira, 21 de julho de 2026

O Sentido da Vitória da lamentável vitória: UFBA, a "volta dos que nunca foram"

 

O Sentido da Vitória da lamentável vitória

 

Vamos dar sentido a eleição na UFBA através da apresentação dos processos dos agentes e dos resultados. Os aspectos positivos e as perspectivas insurgentes na política baiana.

A eleição da UFBA teve um resultado de uma racionalidade quase medieval. O retorno “dos que nunca foram” foi o resultado do primeiro escrutínio na nova legislação. Racional, pois se inscreve dentro da lógica iluministas dos filósofos vitoriosos.

Foi o que aconteceu nesta eleição na nossa mais tradicional Academia. As duas chapas “vitoriosas”, logo as mais votadas, representam setores da academia que estão em desacordo a respeito do processo da continuidade de dominação. Com efeito, estiveram juntas em pelo menos três gestões e nada aportaram de novo.

As irregularidades denunciadas, principalmente pelos Insurgentes, prejudicaram muito a beleza da disputa e evidenciou a incapacidade da atual gestão. Neste campo, a justiça dará a última palavra.

Parabéns aos Insurgentes, a quem a apoiamos na luta política e seguimos apoiando na luta jurídica. Nosso apoio vai no sentido de que a luta pelo poder não pode ficar atrelada a ideologias fracassadas e organizações aprisionadas pelo personalismo. A insurgência faz surgir novos “critérios de verdades”, neste sentido a composição da chapa aponta nesta direção.

O fator positivo é que os afro-brasileiros foram atores importantes neste processo. A chapa insurgente era composta de dois intelectuais ligados a luta contra o racismo e com destacado papel nas lutas gerais, além de brilhantes carreiras acadêmicas. As duas chapas vitoriosas contavam com dignos representantes das elites na cabeça e com brilhantes intelectuais como vice. As duas vices são intelectuais afro-brasileiras.

A estas, só posso dizer parabéns e desejar boa sorte, colegas. Suas contribuições fazem parte de nossa história, pois temos séculos de registro deste tipo de papel. De fato, de Palmares às lutas mais recentes os registros pululam de papéis caudatários como este. Os parabéns vão pela vitória. E o desejo de boa sorte, vai pelo fato de que na tradição desta Academia os vices se tornam ou tentam se tornar reitores.

Portanto, temos uma vice-reitora afro-brasileira na nossa mais tradicional academia. Contudo, temos que questionar: se foi uma vitória, se teve fatores positivos, porque lamentável? Porque os satélites das elites culturais e, até mesmo, alguns intelectuais insurgentes não entenderam o sentido da derrota.

Os representantes das elites culturais reformistas, vitoriosas neste processo, com suas luzes próprias ou capitadas de seus astros originários, projetam seus raios em seus satélites que os reproduzem. Esta lógica garante aos mesmos a eterna permanência no poder.

Em resumo, toda vez que as elites culturais, estão dividas e, por isso se sentem ameaçadas, elas vão na senzala buscar seus herdeiros bastardos e os promovem a capitães do mato.


domingo, 19 de julho de 2026

A FUGA: ou retirada estratégica

 

ROSA

A HISTÓRIA DE UMA FLOR

 

A FUGA: ou retirada estratégica

 

Era o primeiro mês do verão de 1835, mais precisamente o dia 24 de janeiro. A conspiração, tanto preparada, teve que ser antecipada. Mas havia necessidade de lutar. Nada estava perdido.

Luiza afirmou que os planos garantiriam a vitória e a liberdade tanto almejada. Recordou os momentos de liberdade vividos em seu reino. Lembrou de sua luta afrente de seu povo contra os invasores brancos. Lembrou a traição de outros nações, encantadas pela visão de puder único, isto é, um só deus. E terminou afirmando que tudo isto lhe dava força para ir em diante.

Alcindo ponderou que naquele momento seria importante preservar a vida da Rainha, Luiza, para outro momento. Todos presentes naquela noite conturba avaliaram que Luiza tinha que partir.

Alcindo, trabalhava nas docas descarregando cana. Por isso, sabia da partida naquela noite de um navio carregado de cana para o porto de Campos. E que poderia alojar Luiza, sua família e alguns combatentes naquele navio.

Dito e feito! Luiza partiu, com ela seus filhos. Dandara, a mais velha, tinha a época quatorze anos. Seu irmão caçula de quatro anos ficou com sua tia Rosa, que lhe tinha muito afeto. Acompanhada de um pequeno grupo de fieis, Luiza escapa do cerco e se abrigam em um dos porões do navio.

A saída de casa em Nazaré não trouxe dificuldade. Auxiliada por Alcindo que conheci muito bem o caminha que fazia quando ia trabalhar. Do fundo da Casa do Barão de Sauipe, onde a Nega Lucia, escravizada da baronesa, também participante da conspiração, deu-lhe passagem, atingiram o vale Nazaré, subiram pela escarpa que vai dar no Barbalho.

O forte está praticamente vazio, pois as forças que o protegiam foram deslocadas para um possível combate. Luiza propôs tomar o forte e estabelecer uma ponta de lança, mas em rápida discussão o grupo avaliou que, naquele momento a possibilidade de vitória era bastante incerta.

Rapidamente seguiram pela Ladeira do Canto da Cruz. Evitaram, por este trajeto a passar pela Fonte do Baluarte. Local bastante frequentado pelos ganhadeiros que vendiam água para os moradores da redondeza. Atingindo em pouco tempo o Porto de Salvador.

O porto estava vazio, com aparência de abandonado. Mas Alcindo tinha conhecimento de seu funcionamento. Conhecia os seguranças da noite. Naquela noite era o forro Damião que fazia a segurança. Não foi difícil convencê-lo a deixá-los entrar. A entrada no navio não teve dificuldade, pois Damião tinha total conhecimento dos barcos que partiam aquela noite.