O Sentido da Vitória da lamentável vitória
Vamos dar sentido a eleição na UFBA através da apresentação dos processos
dos agentes e dos resultados. Os aspectos positivos e as perspectivas
insurgentes na política baiana.
A eleição da UFBA teve um resultado de uma racionalidade quase medieval.
O retorno “dos que nunca foram” foi o resultado do primeiro escrutínio na nova legislação. Racional, pois se
inscreve dentro da lógica iluministas dos filósofos vitoriosos.
Foi o que aconteceu nesta eleição na nossa mais tradicional Academia. As
duas chapas “vitoriosas”, logo as mais votadas, representam setores da academia
que estão em desacordo a respeito do processo da continuidade de dominação. Com
efeito, estiveram juntas em pelo menos três gestões e nada aportaram de novo.
As irregularidades denunciadas, principalmente pelos Insurgentes, prejudicaram
muito a beleza da disputa e evidenciou a incapacidade da atual gestão. Neste
campo, a justiça dará a última palavra.
Parabéns aos Insurgentes, a quem a apoiamos na luta política e seguimos
apoiando na luta jurídica. Nosso apoio vai no sentido de que a luta pelo poder
não pode ficar atrelada a ideologias fracassadas e organizações aprisionadas
pelo personalismo. A insurgência faz surgir novos “critérios de verdades”,
neste sentido a composição da chapa aponta nesta direção.
O fator positivo é que os afro-brasileiros foram atores importantes neste
processo. A chapa insurgente era composta de dois intelectuais ligados a luta
contra o racismo e com destacado papel nas lutas gerais, além de brilhantes carreiras
acadêmicas. As duas chapas vitoriosas contavam com dignos representantes das
elites na cabeça e com brilhantes intelectuais como vice. As duas vices são
intelectuais afro-brasileiras.
A estas, só posso dizer parabéns e desejar boa sorte, colegas. Suas contribuições
fazem parte de nossa história, pois temos séculos de registro deste tipo de papel.
De fato, de Palmares às lutas mais recentes os registros pululam de papéis caudatários como este. Os parabéns vão pela
vitória. E o desejo de boa sorte, vai pelo fato de que na tradição desta Academia
os vices se tornam ou tentam se tornar reitores.
Portanto, temos uma vice-reitora afro-brasileira na nossa mais
tradicional academia. Contudo, temos que questionar: se foi uma vitória, se
teve fatores positivos, porque lamentável? Porque os satélites das elites culturais
e, até mesmo, alguns intelectuais insurgentes não entenderam o sentido da
derrota.
Os representantes das elites culturais reformistas, vitoriosas neste
processo, com suas luzes próprias ou capitadas de seus astros originários,
projetam seus raios em seus satélites que os reproduzem. Esta lógica garante
aos mesmos a eterna permanência no poder.
Em resumo, toda vez que as elites culturais, estão dividas e, por isso
se sentem ameaçadas, elas vão na senzala buscar seus herdeiros bastardos e os
promovem a capitães do mato.

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