A destruição das
universidades estaduais é uma ação premeditada das elites culturais baianas. Recursos
limitados para custeio, investimentos raros e conquistados a duras penas, falta
de empenho dos políticos para buscar verbas nacionais para pesquisa e extensão fazem
parte do cotidiano dessas instituições; desde o início de suas criações. A
maioria das unidades foram instaladas em razão de barganhas políticas de velhos
caudilhos. Portanto, não é fato novo o descaso das elites cultural por este
imenso patrimônio intelectual construído basicamente pelos alunos, professores
funcionários e as comunidades.
Com efeito, o tema de
ciência e tecnologia sempre constou nos programas eleitorais das elites
culturais conservadoras. Encontra-se facilmente alusões précisas a uma
universidade democrática, autônoma e, atualmente, socialmente referenciada.
Muitos intelectuais da elite cultural reformista que empolgam a cúpula da
Educação estiveram a frente da elaboração de avançados programas eleitorais de
ciência e tecnologia, aí incluindo as universidades.
A grande novidade é que
esta tarefa está sendo conduzida, há mais de uma década, pela parte reformista
destas elites. Uma possível explicação para este fato pode ser encontrada na
forma como a elite cultural reformista chegou ao poder no estado. A eleição da
primeira gestão desta elite, em 2006, foi o que chamo de acidente político. Isto
é, não chegaram em razão de um projeto mudancista, como foi o caso dos
vitoriosos de 1986. Não chegaram em função do convencimento de parcelas dos
segmentos hegemônicos, o que seria natural na luta política.
A eleição de 2006
consolidou o poder político de LULA em todo o Brasil e, principalmente no
Nordeste, por isso, votar em LULA 13, para presidente e no outro 13, para
governador era praticamente automático. Com isso, caiu o caudilho velho, mas o
sistema que ele criou foi mantido.Este sistema consiste numa íntima e promíscua
aliança entre as lideranças do interior, principalmente prefeitos, ex-prefeitos
e seus familiares que se sucedem secularmente. Deste sistema,se apropriou os velhos
sindicalistas.
Este sistema propicia
total independência dos velhos sindicalistas, agora novos caudilhos, dos
segmentos que defendem mudanças, seus antigos aliados. E, por via de
consequência, possibilita a aproximação dos velhos sindicalistas com velhas
elites culturais conservadoras. Estas últimas nunca quiseram universidades com
pesquisa, ensino e extensão. Desejam apenas escolões de produção de mão de obra
minimamente especializada, uma vez que seus pimpolhos estudam na federal ou nos
“centros acadêmicos sulinos”.
As universidades
estaduais baianas tem algumas peculiaridades encontradas em poucas outras no
Brasil. Quais sejam, um elevado número de professores e pesquisadores negros e
um percentual significante de estudantes idem. Esta é a principal preocupação
das elites culturais conservadoras. Destruir qualquer possibilidade de avanço
foi o primeiro recado dado para os novos moradores de Ondina. Portanto, o projeto
é impedi-la de produzir intelectuais negros. Assim, transformá-las em escolões
de terceiro grau é o objetivo no fim de linha.
Logo, só a luta pode
reverter esta situação, e a greve política é o principal instrumento dessa luta.