sábado, 6 de outubro de 2018

O Debate que não houve.

O Debate que não houve.

É importante saudar a ADUFS e os demais organizadores do evento pela iniciativa de construir evento tão importante.  Gostaria de ter participar, mas a coligação que participo optou por indicar um candidato da cidade, como foi previamente acertado. Teria sido um importante momento para apresentar minhas propostas para discussão no campo da Ciência, Tecnologia e Inovação.

As universidades estaduais da Bahia estão sofrendo um longo processo de degradação. Os professores precisam se manifestar, neste momento em que se prepara um projeto de corte de direitos sociais, com aumento da violência física e a injustiça em nosso país. Nós, professores das UEBA, somos capazes de construir universidades produtivas na produção de conhecimento e socialmente referenciadas na luta por um desenvolvimento e contra todas desigualdades.

No entanto, não existe vontade política manifestada pelos atuais gestores para a construção desta autônoma e com estas referências. Esta vontade só será construída com a mobilização do conjunto dos interessados. Assim, somente com mobilizações e independência política dos segmentos diretamente interessados, qual sejam professores, funcionários e estudantes será possível uma mudança na postura destes impostores.

O debate foi metodologicamente bem organizado. As questões da Comissão Organizadora foram centradas em temas de interesse das comunidades universitárias. As respostas dos candidatos repetiram as demandas destas comunidades duramente atacadas pelo governo. Faltou, entretanto, propostas novas, como por exemplo a criação de uma secretaria para cuidar da pesquisa e ensino superior. Este modelo já existe em alguns estados e alguns países. Precisamos avaliar e discutir.

Por falta de informação dos candidatos não foi discutido a concentração de recursos federais no sul do país, prejudicando principalmente as universidades baianas. Defendemos a desconcentração de forma a reparar o Nordeste na distribuição destes recursos federais. Neste momento, existem recursos federais desperdiçados em universidades regionais que, apesar de receber majoritariamente recursos são incapazes de produzir ciência. Por isso,  estamos propondo debater a descentralização destes recursos para os estados.

Nas questões colocadas pelo público faltou alguma colocação sobre o papel das cotas como o único instrumento revolucionário na sociedade brasileira. Vivemos uma guerra entre uma cultura hegemônica que sufoca sem solução e outra que quer crescer, mas que é aniquilada, como tantas culturas o foram pelo pensamento hegemônico eurocêntrico.

Portanto, neste momento eleitoral é importante que isto seja denunciado e que a sociedade se engaje nesta luta.


Aos Nossos Craques Com Carinho

Aos Nossos Craques Com Carinhos

O “time” vai ganhar e continuaremos morrendo. O "time" será eleito e nós Negros continuaremos morrendo na marca do pênalti.

Não basta apenas acusar nosso “La Ele” de genocida. É preciso se posicionar em relação a seus cúmplices, aqueles que são do “Time” que “nosso La Ele” escolheu para eleger. Estes se calam porque senão, não recebem dinheiro do fundo partidário, não aparecem na televisão. Em fim, não se elegendo, nao terão condição de construir seus aparelhos no estado institucionalmente racista para tocar seu projetos individuais ou de seus grupelhos nos partidos.

Como disse o Professor Hélio Santos em seu vídeo: “somos os principais perdedores”. Nossos candidatos devem explicitar suas posições neste momento. Ele afirma ainda: somos a maioria no desemprego por desalento. Eu afirmo: somos a maioria nas mortes violentas. A Bahia é a campeã de assassinatos de negros, logo percebe-se que o “goleador de Cabula” é um bom condutor de seu “time”. Como diríamos num bom francês: “on est Champion”.

E aqueles que estão votando, pedindo voto  e fazendo campanha para nossos craques precisam estar atentos a esta realidade.

Estamos numa guerra parafraseando o “velho compositor baiano”: “guerra diferente das tradicionais”( guerras civis, acréscimo meu). Esta é a única explicação para o “Lá Ele” deles e o “Lá Ele” nosso ter tão elevado índice de preferência.


Portanto, é preciso uma mudança de postura política de nossos craques para que possamos avançar na luta contra o extermínio do povo negro.