sexta-feira, 31 de março de 2023

Juros só se reduz no grito


 Juros só se reduz no grito


O Presidente LULA grita, e com razão, contra a manutenção da SELIC no atual patamar. No entanto, perde a disputa contra a banca em seu próprio campo. Os bancos privados não aceitaram a taxa imposto por um de seus ministros. E foram seguidos pelos bancos “públicos”. Um absurdo!

 

Lei de Responsabilidade, teto de gastos, ancoras fiscal e outras sandices como tais são instrumentos jurídicos e fiscais usados pelas elites culturais para limitar a construção política. A criatividade destas elites para falsificar o debate democrático, o único capaz de construir as condições politicas para as transformações sociais. Estes instrumentos enrijecem as relações entre as instituições do mercado, mantendo a hipertrofia da instituição cultura. Vejamos o caso dos juros do consignado dos aposentados. Os bancos privados negam-se a reduzir suas taxas a um valor razoável.

 

Os bancos públicos estão cheios de dinheiro do ˜publico˜. A caixa Econômica Federal recolhe o dinheiro do fundo de garantia. Quantos bilhões são recolhidos dos trabalhadores e dos empresários. Qual a remuneração destes milhões a aqueles que por lei lhes confiam. O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social – piada! – recebe. bilhões do FAT. Quanto é a remuneração que retorna para o trabalhador e a quem se destina o dinheiro recolhido.

 

Um desses economistas reformistas sugeriu que seria possível superar a política de juros alto do Banco Central, utilizado os bancos públicos. Criando programas de créditos com juros subsidiados, seria possível a injeção de alguns bilhões no mercado nas mãos de quem realmente produz riquezas, quais sejam: a “economia passiva “. Algo que pensei fosse possível. No entanto, aquele representante das elites culturais conservadoras esqueceu que os bancos públicos são “públicos” única e exclusivamente para recolher dinheiro do publico. Em outras palavras, quando se trata da distribuição destes recursos, estes bancos agem como bancos privados, para os quais só o lucro importa.

 

Por isso e portanto, o grito do Presidente LULA, só será ouvido, quando o conjunto do movimento social (MST, MNU, CUF etc.) tiver a capacidade de compreender que LULA só ganhará a parada - juros, reforma tributária - quando o povo estiver na rua e chamar atos políticos. Acredite, serei o primeiro na rua a levantar estas bandeiras.

sexta-feira, 3 de março de 2023

Negritando os Fatos: juros e combustíveis

 

O programa de pós da APNB, Negritando os Fatos, abordou três temas, quais sejam: Banco Central e os juros; Petrobras e os preços dos combustíveis e Governo e Inteligência Fiscal. Estes temas estão intimamente ligados. Abaixo algumas observações que fizemos.

 

Banco Central e os juros

 

O mercado, que é uma estrutura “modelada por várias instituições (políticas, econômicas, sociais e mesmo culturais” – o grifo é meu – irá atender a instituição mais poderosa. Banco Central e os juros. Em nosso caso, a mais poderosa instituição é a Cultura. Por isso, não cabe um Banco Central independente em um mercado com hipertrofia da Instituição Cultura.

“Juros não se reduz no grito” disse um economista conservador. Eu afirmo exatamente o contrário. Isto é, juros só se derruba no grito, na medida em que em nosso “capitalismo” racismo e juros são causa e efeito. E lula sabe disso. Por isso, ele gritou.

Quem oferta o capital no Brasil são os brancos, uma minoria inexpressiva. Os tomadores são os negros, uma maioria expressiva. O racismo impede que os detentores do capital confie nos tomadores, por isso o juros são alto. Na medida em que ele reflete a confiança entre os agentes.

O Professor Romilson Sousa afirmou o “Banco Central é o Banco dos Bancos”. Em sendo verdade, somos obrigados a concluir que mantendo os juros elevados, o BC está correto.  O oligopólio, a quem o nosso banco central atende, pertence a homens brancos.

Portanto, é preciso democratizar o acesso aos bancos e atividade bancaria, isto só será possível com uma luta contra o racismo.

 

Petrobras e os preços dos combustíveis

Primeiro é preciso ter em conta que a nossa Petrobras é uma empresa privada regida pela lei das SA, inclusive com cotação na Bolsa de Nova.

O monopólio é a mais evidente manifestação econômica do racismo. A nossa Petrobras não poderia ficar de fora. Não que a nossa empresa seja racista. Racismo é o outro ao outro. Não é nem institucional e muito menos estrutural. Em economês básico o monopólio faz o seu preço. Logo a Petrobras fará o preço dela independente do que nós, “donos”, dela queremos.

O preço do combustível não é responsabilidade da Petrobras e sim do mercado. Nossa empresa faz apenas seu papel de empresa monopolistas. Podemos seguir o modelo francês que, pensando na próxima guerra, vai reestatizar a EDF -  Électricité de France. Só assim as políticas pensadas pelas elites reformistas poderiam ser aplicadas.

A responsabilidade social que se pode exigir da Petrobras é concurso público com políticas de ação afirmativa.

Os dois temas discutidos mostram os limites do oligopólio e do monopólio dentro do processo de um “capitalismo periférico”. Por isso, estes limites só poderão ser ultrapassados através de um intensa luta pela instalação de uma sociedade que leve em conta a diversidade cultural.