sábado, 16 de setembro de 2023

Quem foi Ivan Carvalho ? Uma vida dedicada à luta contra o racismo


Quem foi Ivan Carvalho? Uma vida dedicada à luta contra o racismo

 

Neste dia, 16 de setembro 2023, Ivan Carvalho completa 74. Sua dedicação a luta contra o racismo coloca-o entre os imortais desta luta. Profissional respeitadíssimo, pai dedicado e militante político. Este brilhante político deixou marcas indeléveis.

Foi um pai dedicado que proporcionou aos filhos o que havia de melhor no ensino em Salvador. Sua preocupação com a educação fazia parte de sua vida.

Engenheiro químico, Ivan Carvalho atuou como profissional autônomo na Secretaria da Receita Federal por algumas décadas. Ivan se destacou como um dos profissionais mais requisitados de sua área. Formado em Economia pela Universidade Federal da Bahia. Formulava e operacionalizava seus próprios projetos. Com destaque para o SITOC.

No campo político/partidário, atuou de forma independente das correntes das elites culturais e de seus satélites no movimento negro. Cuidava pessoalmente de vida política sem aceitar financiamento nem patrulhamento ideológico. Destacou-se pela sua independência em relação às ideologias exóticas que controlavam a política no processo de distensão.  Neste espaço a insurgência e a sua forma de atuar.

Em sua primeira candidatura a deputado federal, abusou da criatividade, coragem e insurgência. Nesta, produziu o manifesto Pretos Oitenta e Dois onde defendia buscar a unidade dos candidatos negros em prol da centralização da luta contra o racismo. Esta ousadia lhe rendeu muitos desafetos que, naquela época, não acreditavam na centralidade da questão racial.  

Foi candidato a Senador, destacando-se ao desmascarar, em debate público, como o “ex-dono da Bahia” manipulava a cultura baiana. Enquanto o representante da elite cultural reformista trocava afagos com o tirano, Ivan Carvalho procura desmascará-lo Por este atrevimento foi duramente perseguido pelos acólitos do capo.

Criador do SITOC em 1987, neste espaço procurava construir um ambiente onde a política, a cultura e o social se integrassem de forma educativa. Neste espaço, os movimentos políticos e sociais faziam muitas atividades. O sentido era servir ao movimento e acima de tudo promover uma integração. Era um espaço de formação política.

Por tudo isto e por muito mais que vamos descobrir, Ivan Carvalho merece ser lembrado estudado e aplaudido.

Professor Doutor Nilo Rosa dos Santos

 


sábado, 22 de julho de 2023

Sucateamento ou rebaixamento: o dilema das universidades baianas

 

Vamos ver como as elites negam-se a construir instrumentos de intervenção com vão na direção do avanço tecnológico. De fato, as soluções para nossos atrasos são sempre buscadas no estrangeiro.

O mantra da elite cultural é colocar a culpa pelos nossos fracassos no Outro. Aqueles da Cepal colocavam a culpa pelas perdas em nossas relação de troca internacionais em nossos parceiros comerciais. Aqueles que os golpistas de primeiro de abril de 1964 acusavam de querer destruir a família com o famigerado comunismo. A imensa contradição é que a solução das nossas mazelas também cabe ao outro. Vamos analisar este paradoxo sub  prisma do nosso atraso industrial.

As elites culturais locais associadas ao capital internacional atraem grandes empresas para a instalação de fábricas. Para isto oferecem vantagens econômicas e financeiras a custas da sociedade. Estabelecem prazos para o fim destes benefícios. Ao fim deste prazo o empreendimento perde a lucratividade e as empresas se retiram do Estado.

A indústria automotiva é um exemplo emblemático. Por duas vezes as elites culturais da Bahia tentaram atrair estas indústria. Na segunda vez, ela foi bem sucedida. A fabrica de carros Ford foi instalada em 2001. Ficou vinte anos, isto é enquanto os incentivos a tornava competitiva. Não transferiu qualquer tipo de tecnologia. Os componentes de alta tecnologia vinham de suas produções no exterior. Na época eu trabalhava no aeroporto e liberava, válvulas e outros equipamentos.

A solução é investir no mercado interno. “Obá ... É no xaréu que brilha a prata luz do céu”. Esta a afirmação é de outro gênio de Santo Amaro, Caetano Veloso. Mas as elites sabem disso, por isso procuram. Tecnologia não se importa. Produz-se quando se investe nas universidades, mas . Este investimento em tecnologia torna-se impossível em função do rebaixamento das universidades a departamento da Secretaria de Educação.

O problema é que este mercado é majoritariamente de afro-brasileiros. E as elites culturais da baiana, seja reformista ou conservadora, não tem nenhum interesse em atender a um público com esta especificidade. Portanto, a solução de investir no mercado interno se torna uma questão política.

A solução proposta é o mais do mesmo: descredito do mercado local. Incentivos, subsídios e vantagens, quando tudo isto acabar, caminho da roça; disse Olívio Dutra “tchau sem a Deus”. Ontem os americanos, agora os chineses. Eles estão sempre procurando seu salvador.

A Ford foi embora. quero novidade! Esta partida já era esperada. Estão todos mentindo, fingido surpresa. Todos sabíamos que mais cedo ou mais tarde isto aconteceria. Foi tarde! E pouco tem a haver com a pandemia, como alegaram. Esta alegação serve, sobretudo, como uma espécie de álibi. É a movimentação do capital em busca de resultado.

A indústria automobilística está em crise no mundo todo em função principalmente das mudanças tecnológicas, ambiental e da entrada no mercado dos produtos da indústria asiática. Aqui, a crise é fundamentalmente uma crise de mercado. Não se pode esquecer que a proposta do fundador da Ford era construir carros acessíveis ao cidadão comum. Por razões já mencionadas, este cidadão comum não está na pauta do governo.

Hoje, são os chineses os salvadores da “pátria”. As promessas são as mesmas, criação de empregos, transferência de tecnologia.  As duas propostas devem ser relativizadas. Os empregos serão dados aos robôs e tecnologia não se transferia sem investimentos nas universidades.

Portanto, fica evidente que na “terra do branco mulato a terra do preto doutor” são os “Outros” os destinados a encontrar  a solução de nossos problemas.

Nos passos de Querino, rumamos ao IX CBPN

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Elite, Satélite e dialética

 Elite, Satélite e dialética

 

Vamos discutir como as elites culturais constroem a hegemonia no processo politico, construindo cadeias de transmissão com base em seus satélites. As ideologias juntamente com métodos bem aceitos são capazes moldar o comportamento de seus satélites.

 

As elites culturais reformistas determinam as pretensões de suas bases. Os satélites são fundamentais. Estes só podem ser quadro política de base, nesta condição acessam o apenas aos textos de agitação política que lhes são passados como sendo produção cientifica.

 

As elites culturais reformistas brilham como astros. Entorno delas, seus satélites absorvem sua luz; repetem seus discursos e aplicam seus métodos. Acreditando que fazem uma ciência politica revolucionária. Para estas elites, seu método revolucionário, capaz de dar respostas a todas as contradições é a dialética. Assim, os satélites passam a utilizar este método para resolverem as contradições que enfrentam. Deixando de procurar em sua cultura ou em outras, respostas para muitos impasses.

 

Nem todas as culturas constroem seus discursos na busca da síntese entre o bem e o mal. A tese, a antítese e a síntese podem construir um bom cominho na busca das contradições históricas. O que é a dialética? Nada mais é do que a forma de construir o discurso de uma determinada cultura. O “discurso da autoridade” é capaz de aportar soluções mais imediatas.

 

A analise dialética é importantíssima para a compreensão da história das lutas econômicas. Mas tem pouca condição de contribuir na compreensão das disputas entre as culturas. O que acontece é que as lutas culturais são determinantes para compreender as ação das elites culturais. Portanto, sem compreender que “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”, as elites culturais orientam seus satélites para atingir seus objetivos.

 

Concluímos que as ideologia e os métodos das elites culturais buscam e conseguem manter a estrutura racial no poder.

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Dois Olhos de Ressaca aos Cadernos Negros.

Dois Olhos de Ressaca aos Cadernos Negros. 

Objetivo com este texto mostrar a importância da leitura dos clássicos para a melhor compreensão da realidade social. Estes podem estar na literatura romântica, na literatura econômica e na literatura filosófica. Associar a leitura dos clássicos a uma leitura da sociedade social é uma das soluções ideias para a mudança da realidade.

Para atingirmos nossos objetivos, vamos focar nossa atenção em Machado de Assis, Manuel Querino, Celso Furtado e Fenando Henrique Cardoso. Estes autores em áreas diferentes do conhecimento, nos trazem informações, que lidas de forma adequada, fortalecem a formação dos jovens. Machado em Dom Casmurro; Querino em Cultura Baiana; Furtado em Formação econômica do Brasil e FHC em As Ideias e Seu Lugar, contribuem largamente para a este propósito.

Em Machado, vamos discutir o sentido dado aos olhos de “ressaca” de Capitu, dentro do contexto da realidade de uma economia escravagista das elites culturais. O contato com a produção de um autor afro- brasileiro como Machado pode motivar uma interpretação e o aprofundamento da realidade e das relações sociais. O problema reside na leitura da língua culta deslocada do contexto social do autor. Os jovens na sala de aula fazem uma leitura dos textos da língua portuguesa de acordo com sua realidade social. Por isso, é preciso levar isto em consideração para uma melhor produção e avaliação do ensino da língua na periferia.

Na adolescência, uma dos autores obrigatórios é Machado. Quem ainda não ouviu falar dos “olhos de ressaca de Capitu”. Notabilizado por Machado, nosso maior escritor, não por acaso afro-brasileiro, em Dom Casmurro. Nasceu preto e pobre, de um pai descendente de africanos em  um morro  da zona do cais do Porto do Rio de Janeiro. Morreu branco e rico na parte rica da cidade. Os olhos de ressaca de Capitu viram símbolo de atração fatal.

 

Machado, ao contrario de importantes escritores negros de sua época, adquiri notoriedade, portanto, visibilidade ainda enquanto produzia seu genial legado. Seus romances são do gosto dos melhores leitores, retratando a vida e o cotidiano do carioca. Assim, em uma linguagem que vai direta ao gosto de vários segmentos, ele consegue esquecer a sua cor e superar suas origens sociais.

 

Os Cadernos Negros através de um literatura comprometida tenta dar visibilidade ao afro-brasileiro, uma vez que “a invisibilidade social do afro-brasileiro se manifesta, ainda, na incapacidade de enxergá-lo fora dos papéis sociais a ele destinados pela sociedade”. Com efeito, falando de si da sua realidade e para seu mercado, os autores destes cadernos dão visibilidade a uma literatura engajada.

Em Querino, o sindicalista, o politico e o produtor de cultura, vamos ver a evolução da necessidade de mudança, com efeito a politica foi percebido como algo além da fronteira. Neste gênio, percebesse nitidamente a compreensão  papel da cultura na possiblidade de transformação, algo ainda obscuro para muitos “iluminados” pela cultura do sequestrador e exterminador europeu.

O compromisso dos jovens hoje em dia pode ser resgatado se seguirmos os passos de Manoel Querino. Este talvez seja o intelectual mais completo do século IXX. Querido vai da arte a cultura, passando com êxito pela militância sindical e associativa e parlamentar. A leitura das obras de Querino e seu percurso são fundamentais para compreender a possibilidade de mudança.

Em Celso Furtado, vamos ver uma leitura da mão de obra negra plena de preconceito eurocêntrico. Em FHC, vamos ver como as ideias econômicas e filosófica transformam-se quando adentram em nossas fronteiras. Neste ponto, a CEPAL em sua analise clássica esquece a realidade local. Por tudo, isto é fundamental a leitura da língua sem perder o foco na realidade em que se vive.

Na juventude, ao adentrarmos em nossas universidades, somos obrigados a ler Celso Furtado, principalmente sua magnifica obra, Formação Econômica do Brasil. Na parte que nosso economista se refere a formação da mão de obra no Brasil, somos levados a crer que somos indolentes e débeis mentais. Passamos a acreditar que somos os responsáveis pelo atraso do país. Furtado não consegue perceber como a “Cultura, enquanto instituição, age para invisibilizar os Afro-brasieliros.

 

Também é indispensável a leitura de Fernando Henrique Cardoso. De suas fantásticas obras, escolhemos para comentar “As ideias e seu lugar : ensaios sobre as teorias do desenvolvimento”. As ideologias que chegam nestas paragens sofrem transformações para atender os interesses dos grupos e segmentos sociais. Uma dessas ideologias é o liberalismo que é aplicado no sentido inverso na sua matriz.

 

Todos estes autores tem suas obras e suas vidas dentro de uma arena que modernamente chamamos mercado. Esta arena é regulada por instituições. Estas “abrangem quaisquer formas de restrição que os seres humanos engendram para moldar a interação humana”. São estas restrições fundamentais na leitura de nossos clássicos.

 

Em resumo, é preciso buscar, primeiramente a realidade social do autor para fazer uma leitura dos clássicos que possam trazer a realidade para o debate sem distorções importadas.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Persistência e determinação: nos passos de Querino

 Persistência e determinação: nos passos de Querino

 

A Associação de Pesquisadores Negros da Bahia – APNB é a seção baiana da ABPN, ou deveria ser. Ela foi criada para construir o IV COPENE. Idealizada, em 2004, por um grupo de intelectuais que se organizaram para trazer este evento para Bahia. Por questões operacionais e legais isto não foi possível. Contanto com apoio de especialistas, ela foi formalizada em agosto de 2004.

 

Sem controle ideológico e se vinculo com as instituições públicas a Associação se apoiou no prestígio que seus fundadores tinham nas instituições universitárias nas quais lecionavam e pesquisavam. Embora a maioria dos pesquisadores fossem próximas ou filiada ao Partido dos Trabalhadores, estes não comprometiam a Associação com os interesses deste partido.

 

Durante três anos seguidos ela ficou à deriva, como que a abandonada. Somente em 2007, ela reaparece para a realizado do Primeiro Congresso Baiano de Pesquisadores Negros. Realizado entre  na Universidade Federal da Bahia, sendo coordenado pela Professora Doutora a Florentina da Silva Souza. Neste mesmo evento, foi escolhido a Universidade Estadual de Feira de Santana para sediar o Segundo Congresso de Pesquisadores Negro, qual tive o prazer de coordenar.

 

Fui presidente da Associação por quatro vezes. Por duas razoes, a primeira é o desinteresse dos pesquisadores negros, a segunda era meu interesse em razão da compreensão que tenho que as organizações negras devem ter direções estáveis, alias isto é o que acontece na pratica com as principais organizações negras na Bahia. Eleito para a primeira gestão no Congresso da UFBA, em Salvador em 2007 e reeleito no Congresso da UEFS. em Feira de Santana em 2009. Retornando a Direção em 2011 em Jequié, sento reeleito em Porto Seguro. Neste longo período mantivemos nossa página da internet, com todos os acervos dos congressos.

 

Estar por longo tempo a frente desta entidade me fez compreender o sentido da independência e o compromisso ideológico que muitos militantes engajados na “luta de classes” tinham em relação as organizações de intelectuais negros. Principalmente os burocratas negros e pardos. Éramos tratados como quem incomodava quando faziam alguma demanda especificamente para os eventos.

 

Apesar de todas as dificuldades, a  APNB foi capaz de realizar nove edições bianuais sem interrupção graças ao prestígio de seus pesquisadores juntos as suas instituições. Com efeito, reitorias, departamentos, colegiados etc. colocavam suas instalações e, muitas vezes, forneciam recursos. A recusa a contribuição das instituições publicas sempre foi explicitada, salvo raros casos, estes em decorrência das relações pessoais de negros dentro das instituições publicas

 

As contribuições destacavam a necessidade de uma luta politica associada a construção de um novo sistema de verdades. Que se contraporia as verdades advindas da tradição ocidental, esta oriunda do seu mito fundador. Uma vez que consideramos a Bíblia o Mito fundador do ocidente. Alguns intelectuais e militantes ligados estes pensamentos, tiveram papel de meros espectadores. Nunca demonstraram compromissos em construir uma associação de intelectuais negros. Para estes tipo de ideologia negro não precisava ser intelectual.

 

Esta produção intelectual não foi capaz de contribuir para uma leitura da realidade que propusesse outra saída. Ficamos, portanto, presos aos discursos religiosos dos filhos xifópagos do iluminismo, quais sejam o liberalismo e o marxismo.

sábado, 1 de julho de 2023

Na Perspectiva Nacional

 Na Perspectiva Nacional

Veremos que toda dependência ideológica descamba em derivas oportunista que podem chegar a desvios de condutas. Desta forma, a esperança de avanço se transforma paralisia de ação.

Os anos noventa não viu Godot. Mas na década seguinte, os intelectuais negros constroem estruturas que poderiam esquecer a espera. Suas associações de deveriam contribuir com outra leitura da realidade o que poderia desembocar em uma real construção de outras verdades.

Assim, nascia a ABPN na realização do seu primeiro congresso em Pernambuco no final de 2000. Sem vinculo direto com as estruturas ideológicas carcomidas, parecia capaz de uma construção ideológica autônoma, embora a maioria de seus integrantes eram oriundos destas velhas estruturas. No entanto, infelizmente seus principais dirigentes escolheram a dependência de novas estruturas que rapidamente apodreciam.

Seus encontros bianuais logo passaram a ser sobejamente financiados pelas elites culturais reformistas que empolgavam o poder no país. Mas a dependência econômica não prejudicava a tentativa de uma produção intelectual autônoma. Esta todavia, já tinha um comprometimento anterior.

A necessidade de subsidiar a elite cultural reformista prevaleceu. Importantes quadros na formação inicial da associação emprestaram seus talentos em carpos importantes, embora não em cargos decisórios. Fortaleceu-se assim a ideia da centralização na organização . No mesmo momento, importantes quadros originários da fundação se afastaram em decorrência destes comportamentos.

As derrotas das elites culturais reformistas no poder refletiram de imediato na perspectiva da associação de tal forma que alguns eventos não puderam ser realizados. Sendo este o preço da falta de autonomia. Esta dura realidade aguçou alguns comportamentos pessoais que redundaram em desvio de condutas e afastamento de alguns dirigentes.

A ABPN não cumpriu o seu papel. Ou o papel que alguns intelectuais presentes em Pernambuco em sua fundação, imaginavam. Qual seja, multiplicar-se por todo país, construindo associações nos estados, locais em que a pesquisa se realiza. Tentou centralizar nacionalmente de forma a competir com as associações dos brancos, facilitando com isto a obtenção de cargos no executivo nacional. O “copeninhos” os “departamentinhos” tentados pelas direções esvaíram-se.

São os representantes das elites conservadores que estão dando a seu modo uma resposta ao sem que os intelectuais negros brasileiros compreendam qual o seu papel. No episodio da primeira punição de um racista declarado, o Magistrado que um dia o “absolveu”, foi exemplar em seu julgamento, como se internamente ele tivesse se recuperando do primeiro julgamento.

Portanto, verificou-se que a promissora possibilidade de construção de novos critérios de verdade redundou em alguns perigosos desvios de conduta. Levando a ABPN  a obvio naufrágio. 

Nos Passos de Querino, rumo ao IX CBPN

terça-feira, 27 de junho de 2023

Os Juros Racistas

 

Para entender a insistência do Presidente do Banco Central em contrariar a ortodoxia econômica e manter a Selic nos atuais patamares, devemos sair da economia e adentrarmos na filosofia. Alias, esta é a formação do mentor desta autoridade, Roberto Campos Filho, seu avo.

Quem é o presidente do Banco Central. Um economista que trabalhou anos no sistema financeiro privado, portanto “servidor” dos donos capital. Com uma formação acadêmica e intelectual básica, este senhor foi escolhido como uma mensagem politica simbólica, já que o seu mentor foi um dos mentores do golpe de 64. Portanto, sua escolha não foi por mérito intelectual.

Sem mérito intelectual, este economista é o que restou do projeto racista derrotado nas ultimas eleições. Junta-se a isto a maioria conservadora do congresso eleito com o dinheiro publico angariado pelo “orçamento secreto”. Está formado o “escrete” da revanche.  Ele joga na “ponta direita”, atacando com lances absurdos e os “pernas de paus” jogam na defesa, não deixando passar qualquer avanço do projeto vitorioso.

Os juros são a remuneração do capital, por isso numa sociedade de exclusão. Os juros devem ser vistos como uma relação de confiança entre “o tomador” do capital e  “o cedente” que o detém em confiança de terceiros. Trata-se de uma relação direta, assim se a confiança é elevada, os juros serão baixo, caso contrário, os juros serão elevados. No da sociedade brasileira, a maioria dos “tomares” são afro-brasileiros os cedentes, os cedentes são brancos.

Portanto, o mercado, através de sua hipertrofiada “Instituição Cultura”, exige uma  elevada taxa de juros. Este torna-se o principal instrumento do racismo. É dentro desta lógica que se deve analisar as decisões de um “servidor” dos donos do capital. 

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Sindicalismo, autonomia e poder: o jogo dos anos oitenta

 

Sindicalismo, autonomia e poder: o jogo dos anos oitenta

            Artista, sindicalista e político Manuel Querino compreendeu o importante papel da Cultura na luta pelos trabalhadores. Por isso, deu-nos uma forte contribuição ao mostrar a importância da contribuição dos africanos e afro-brasileiros. Seus ensinamentos são passos a seguir para quem deseja lutar contra as injustiças promovidas por uma cultura de exclusão.

As elites reconstroem o "Outro" como seu contrário; este a completa e ao mesmo tempo a ameaça. Completa como portador de uma parte de sua história que ela insiste em negar. E ameaça, porque ele pode ocupar o lugar que culturalmente lhe é reservado. Este lugar pode ser nas relações de trabalho, nas relações políticas, e mesmo nas relações afetivas. E assim, ela (a elite) constrói hierarquias dentro destes espaços e congela as relações sociais dentro destes espaços hierarquizados. O resultado final se identificava com o modelo. Com efeito, a partir da segunda metade dos anos oitenta, os parlamentos municipais, estaduais e federal recebem os primeiros eleitos egressos do movimento sindical ligados à esquerda. Estes distanciam-se das referências simbólicas dos principais líderes sindicais que disputavam o poder institucional. Isto é, os líderes sindicais do início do processo foram usados como “boi de piranha” e, assim, foram “assassinados”.

Os sindicalistas negros que disputavam o poder neste período não compreenderam que se tratava de uma luta cultural, onde aqueles que eram negros não podiam chegar ao poder. Estes não dispunham de instrumental suficiente para compreender esta lógica. O instrumental que usavam era dominado por seus companheiros brancos. O mesmo acontecia com os militantes negros, sejam dos movimentos bairros; sejam do movimento estudantil, todos eram orientados por uma pseudociência, produzida pelos exploradores e sequestradoras de seus antepassados.

Os Afro-brasileiros não aprenderam a lição ensinada por Querino. Em razão disto, perderam o "bonde da história nas radicais mudanças ocorridas após os anos oitenta. As lutas empreendidas por nosso Mestre tinham a pauta da autonomia de atuação como guia principal da defesa da classe trabalhadora.

A conclusão que nos vem é que uma luta legitima e oportuna no tempo e no espaço é inseparável do contexto social e das relações nele inseridas. Assim, no cenário da desigualdade social baiana, que opõe os afro-brasileiros e os representantes da “elite cultural reformista”, prevalece a lógica de exclusão do Outro. O que nos intrigava para chegarmos a esta conclusão era: como um quadro político heterogêneo se confundia com um quadro social, político e econômico? A resposta só́ pode ser encontrada ao se analisar o quadro histórico de uma sociedade que tentou construir uma homogeneidade tendo como base a exclusão do "Outro".

quinta-feira, 15 de junho de 2023

A Bahia dá Regra e Compasso: Manoel Querino é o modelo

 


A Bahia dá Regra e Compasso: Manoel Querino é o modelo

 

Manoel Querino deu regra e compasso para a transformação da realidade do negro no Brasil. No IX CBPN, vamos mostrar como.

 

Artista, sindicalista, jornalista, pesquisador foram as inúmeras atividades deste que foi um dos mais completos intelectuais brasileiros. Nascido em Santo Amaro da Purificação, lá se vão cento e setenta e dois anos, fica órfão de pai e mãe aos quatro anos de idade.

 

De artista a pioneiro na pesquisa da cultura africana no Brasil, Querino vai do engajamento militar a uma propositiva ação parlamentar. Neste percurso, denota-se uma profunda preocupação em defesa daqueles que vivem do trabalho.

 

Depois de uma bem sucedida atividades na busca da construção de agregação, Querino vai se dedicar exclusivamente a uma produtiva atividade intelectual pesquisa. Sua vasta produção intelectual, registrada em diversos textos, trazem profundos ensinamentos.

 

Hoje importantes pesquisas mostram a contribuição de Querino para a luta pelo resgate da cultura Africana e Afro-brasileiras fundamentais na luta contra o racismo.

 

É, tentando seguir estes passos, que vamos contribuir neste Congresso Baiano de Pesquisadores Negros.


Rumo ao IX CBPN

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Pretos Oitenta e Dois

 

Pretos Oitenta e Dois

 

Pretos Oitenta e dois comprova que toda tentativa de autonomia do movimento negro sofre um processo violento de reação. Veremos que neste caso a reação, esta reação, vem daqueles que se colocam sinceramente ao lado da classe operário, mas que ousam a reagir a todos que, mesmo estando ao lado dos oprimidos, contrariam seus credos.

 

A abertura politica, iniciada em meados dos anos 70, vai encontrar o movimento negro iniciando um novo momento de luta. A primeira eleição livre aconteceu em 1982. A legislação partidária autorizou a participação de vários segmentos ideológicos, levando a formação de vários partidos das elites culturais reformistas.

 

O Partido dos Trabalhadores foi a grande novidade. Agrupava em seu  interior organizações marxistas que pretendiam disputar o destino desta agremiação. As organizações mais a “esquerda”, principalmente as ligadas ao pensamento Stalin, não se legalizaram em razão da desconfiança dos propósitos dos militares, continuaram abrigadas em algumas legendas. Dentre os candidatos ligados aos movimentos sociais, se destacava Ivan Carvalho.

 

Ivan Carvalho lança o manifesto “Pretos82”. Neste documento, manifesta-se, corajosamente, contra a ditadura militar. Neste manifesto, Ivan Carvalho relacionava vários candidatos pretos. A maioria dos pretos relacionados eram integrantes de organizações marxistas abrigadas no Partido dos Trabalhadores. A ideia do manifesto foi repudiada por muitos dos relacionados; alguns ameaçaram agir com violência contra Ivan Carvalho. Embora o manifesto não os vinculava ao candidato. Provavelmente, alguns dos relacionados não se consideravam “pretos”.

 

Ivan era economista e engenheiro químico. Era um profissional capaz e muito respeito em suas atividades. Desta forma, bem sucedido profissionalmente Ivan Carvalho era invejado por muitos que militavam ao seu redor. Era um pai exemplar, sempre preocupado com a forma de seus filhos. A carreira politica foi marcada pela ousadia e criatividade. Ivan não tinha ligação politica com os grupos políticos que disputavam o poder. Candidato a Deputado Federal em 1982. Candidato a senador em 1988, ele enfrentou o todo poderoso, aquela época, dono da Bahia.

 

O aparecimento de novos partidos políticos colocou no cenário politico novos atores. Estes atores travaram uma luta “sans merci”. Muitos dirigentes sindicais negros foram cassados como pelegos ou como parceiros indesejados no compartilhamento do poder que apresentava como possível. Eram “Outros”, apenas com o papel legitimador, qual seja “culpados inúteis”.

 

“Pretos/82” pretendia agrupar os candidatos negros centralizando a luta no combate ao racismo. No entanto, os candidatos relacionados eram militantes de organizações marxistas e entendiam que a questão racial dividia a luta a classe operária. Para estes pretos primeiro deveríamos fazer a revolução proletária da classe trabalhadora usando suas teorias revolucionarias importadas do estoque dos sequestradores de seus antepassados.

 

Muitos dos  “pretos” listados no Manifesto Pretos82 são hoje militantes de organizações negras. Com efeito, abrigados em ONG, sindicatos e instituições publicas, estes, agora de fatos “pretos” ainda  mantenham a mesma leitura da luta politica. Frustrados em seus propósitos políticos em decorrência da exclusão em seus partidos e grupos políticos, alguns até expulsos.

 

Portanto, Ivan Carvalho era um politico a frente de seu tempo, uma vez que “Pretos82”, na verdade, foi um manifesto pela autonomia da luta do politica do Povo Negro.

 

Nos Passos de Querino: Rumo ao IX CBPN

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Mercado, Instituição e democracia

 

Mercado, Instituição e democracia

 

Não se pode falar do contexto nacional sem abordarmos alguns aspectos do contexto internacional. Da invasão promovida pelos europeus em todas as partes do mundo até nossos dias, houve uma grande evolução em todas as instituições que refletiram no mundo inteiro.

 

A pregação da fé religiosa impondo uma visão de mundo centrada na exclusão do “outro”, isto é, daquele que são diferentes, motivou guerras e genocídios. A ferro e a fogo milhares de culturas foram excluídas. A força da imposição de valores religiosos, culturas foram destruídas e milhões de seres humanos foram  tiveram mortos.

 

O Brasil, invenção tipicamente europeia, não podia ficar de fora desta história. Atesta isto o fato de a escravidão ter sido a mais longa e estável instituição, no sentido que Douglas North dá a  estas. Seu fim, desencadeará um permanente estado de instabilidade econômica, política e social. Esta instabilidade política será obrigatoriamente seguida de crises econômicas. Os governos de JK, Jango e mesmo os ditadores militares terão dificuldade de contornar estas crises.

 

No período do pós-segunda guerra mundial, a geopolítica mundial sofre uma profunda modificação, tendo profundo reflexo no país, politico, econômica e social. O processo civilizatório europeu, que este passou teve significativo avanço com os crimes de genocídio cometido contra os judeus e outros povos. Esta rearrumacao vai interferir em todos os países.

 

Nos Estado Unidos, país que  se consolida na hegemonia econômica  e militar, uma profunda transformação se verifica. Sendo vitorioso na luta contra a barbárie dos europeus, este país não poderia continuar praticando a barbárie contra os afro-americanos em seu próprio território. Embora seus principais parceiros, também vitoriosos, mantiveram relações cordiais com os bárbaros na África.

 

A luta pelos direitos civis dos afro americanos, terá reflexo no mundo todo, inclusive no Brasil. As elites culturais conservadoras e boa parte das reformistas, aqui no Brasil, irão promover uma violência institucional que impedirá todo avanço nas reformas que poderiam incluir parcela significativa, a maioria Afro-brasileira.

 

As reformas de Base, principalmente a reforma da terra, poderia transforma o país numa sociedade de inclusão. A terra tem uma rigidez que remonta a Lei da Terra de 1850. Esta rigidez impede a livre utilização deste importante fator de produção. A reforma eleitoral colocaria no centro da decisão política milhões de brasileiros, transformando-os em cidadãos, embora ainda de segunda classe, uma vez que não estava no horizonte destes uma luta pelo direito civis, como estava na visão do Afro-americano. Entretanto, estava na visão das elites.

 

A pobreza e a desigualdade, decorrências de uma cultura da cultura de exclusão, era uma preocupação do projeto dos reformistas. No entanto, os métodos não iam de encontro direto ao centro do problema que era a exclusão da maioria esmagadora da maioria da população, que era afrodescendente, diferentemente dos afro-americanos que representava algo em torno de dez por cento. Nos Estados Unidos Gary Becker verá esta questão como central no mercado de trabalho.

 

Portanto, este é o contexto que servira de pano de fundo para as crises politicas dos anos seguintes. Estas crises serão acompanhadas de crises econômicas sucessivas. As soluções aportadas nunca levam em conta a matriz do problema herdada da cultura do invasor, qual seja a exclusão do “Outro”.

sábado, 13 de maio de 2023

 Treze de Maio: nada a comemorar



Treze de maio nada a comemorar. 


A mentira e a violência contra a cultura são fundamentais para a manutenção do racismo. É isto que pretendemos demostrar com este breve texto que nos motiva o aniversário da lei da farsa.


Esta data é a maior farsa de nossa história, que já é um acumulado de mentiras oficiais. Fingiu-se acabar com quase quatro século de exploração e com três linhas de uma lei. As elites culturais do país agiram desta forma pressionadas pela crise econômica e pela pressão internacional, assinando mais uma lei para “inglês ver”. Como diz o poeta: “livre do acoite da senzala, preso na miséria da favela”.


A farsa reforça-se quando computamos a quantidade de escravizados existentes no país quando foi assinada esta lei. Em números aproximados, chegamos a menos de 10% da população negra nesta condição. A maioria estava localizada nos centros de expansão econômica, principalmente no oeste paulista, área de expansão da “indústria” cafeeira.


Um quantitativo significativo de afro-brasileiro já estava livre da escravização, mas estavam presos a miséria do racismo e das leis opressoras que não foram abolidas na farsa das três linhas. Estes eram, entretanto, a maioria da população brasileira. Por isso, as elites culturais iniciaram um processo de tentativa de.apagamento das culturas dos descendentes de africanos. Hegemônicas naquele momento.


Em razão do racismo, cento e trinta e cinco após mais uma “lei para inglês ver” o Povo Negro continua, em sua esmagadora maioria, à margem dos avanços da modernidade ocidental. Sem possibilidade de livre circulação, não conseguimos produzir riquezas. Mesmo os poucos que as produzem veem os frutos de seus trabalhos serem transferidos aos “herdeiros da rainha” em razão do racista. 


Portanto, nesta data de hoje, de nada a comemorar, é fundamental que se restabeleça a verdade histórica para que possamos usufruir de uma verdadeira liberdade, fazendo avançar nossas tradições culturais de tal forma que haja equilíbrio dentro da instituição enquanto cultura no mercado. Somente com este equilíbrio nos apropriaremos do produto de nosso trabalho.





segunda-feira, 17 de abril de 2023

A Reforma Tributária e o Xaréu

 

A Reforma Tributária e o Xaréu


A reforma tributaria ideal será deverá demonstrar ao pobre que é ele que paga imposto. Como diz o poeta-filosofo: “É no xaréu que brilha a prata luz do céu”. Este pobre é evidentemente majoritariamente afro-brasileiro. Milton Santos já dizia que a sociedade ativa é parasitária da ativa. Esta apenas “gira” o dinheiro público. Estes recursos são arrecadados majoritariamente de forma indireta, isto é sem que aquele que está pagando de conta que é ele que financia a “farra do boi”, sejam nos “palácios” ou nas suntuosas câmaras e plenárias.

 

As formas modernas e elegantes que tentam apropriar o valor no momento da produção ou circulação da riqueza não são incapazes de sensibilizar os que produzem estas riquezas. Neste ritmo, falam em cobrar o imposto de acordo com agregação de valor ao bem ou serviço produzido, como este possiblidade fosse possível em uma sociedade majoritariamente informal. Estas formas podem até ser usadas em algumas cadeias de produção, mas não devem ser apresentadas como solução do problema.

 

A cobrança de imposto sobre as grandes fortunas deve ter o caráter meramente “reparatório”. Estas grandes fortunas foram feitas, todas, a sombra do Estado. Principalmente, através da pilhagem de bens públicos. Mas este imposto só virá quando esta pilhagem for entendida, pelo “xaréu”, como uma relação direta com o racismo, ao qual a maioria do “xaréu” está submetido, e não como processo civilizatório dos escravocratas e mérito de seus descendentes.

 

Portanto, três elementos são indispensáveis por uma reforma justa. Em primeiro lugar, a transparência, isto é quem paga sabe porque paga e para quem paga; desta forma a cobrança será feita. Em segundo, lugar deve ter a possiblidade de controle social sobre a produção e apropriação de riqueza e por último, deve fazer reparação contra aqueles que usaram e abusaram do estado para impor seus valores culturais




sexta-feira, 31 de março de 2023

Juros só se reduz no grito


 Juros só se reduz no grito


O Presidente LULA grita, e com razão, contra a manutenção da SELIC no atual patamar. No entanto, perde a disputa contra a banca em seu próprio campo. Os bancos privados não aceitaram a taxa imposto por um de seus ministros. E foram seguidos pelos bancos “públicos”. Um absurdo!

 

Lei de Responsabilidade, teto de gastos, ancoras fiscal e outras sandices como tais são instrumentos jurídicos e fiscais usados pelas elites culturais para limitar a construção política. A criatividade destas elites para falsificar o debate democrático, o único capaz de construir as condições politicas para as transformações sociais. Estes instrumentos enrijecem as relações entre as instituições do mercado, mantendo a hipertrofia da instituição cultura. Vejamos o caso dos juros do consignado dos aposentados. Os bancos privados negam-se a reduzir suas taxas a um valor razoável.

 

Os bancos públicos estão cheios de dinheiro do ˜publico˜. A caixa Econômica Federal recolhe o dinheiro do fundo de garantia. Quantos bilhões são recolhidos dos trabalhadores e dos empresários. Qual a remuneração destes milhões a aqueles que por lei lhes confiam. O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social – piada! – recebe. bilhões do FAT. Quanto é a remuneração que retorna para o trabalhador e a quem se destina o dinheiro recolhido.

 

Um desses economistas reformistas sugeriu que seria possível superar a política de juros alto do Banco Central, utilizado os bancos públicos. Criando programas de créditos com juros subsidiados, seria possível a injeção de alguns bilhões no mercado nas mãos de quem realmente produz riquezas, quais sejam: a “economia passiva “. Algo que pensei fosse possível. No entanto, aquele representante das elites culturais conservadoras esqueceu que os bancos públicos são “públicos” única e exclusivamente para recolher dinheiro do publico. Em outras palavras, quando se trata da distribuição destes recursos, estes bancos agem como bancos privados, para os quais só o lucro importa.

 

Por isso e portanto, o grito do Presidente LULA, só será ouvido, quando o conjunto do movimento social (MST, MNU, CUF etc.) tiver a capacidade de compreender que LULA só ganhará a parada - juros, reforma tributária - quando o povo estiver na rua e chamar atos políticos. Acredite, serei o primeiro na rua a levantar estas bandeiras.

sexta-feira, 3 de março de 2023

Negritando os Fatos: juros e combustíveis

 

O programa de pós da APNB, Negritando os Fatos, abordou três temas, quais sejam: Banco Central e os juros; Petrobras e os preços dos combustíveis e Governo e Inteligência Fiscal. Estes temas estão intimamente ligados. Abaixo algumas observações que fizemos.

 

Banco Central e os juros

 

O mercado, que é uma estrutura “modelada por várias instituições (políticas, econômicas, sociais e mesmo culturais” – o grifo é meu – irá atender a instituição mais poderosa. Banco Central e os juros. Em nosso caso, a mais poderosa instituição é a Cultura. Por isso, não cabe um Banco Central independente em um mercado com hipertrofia da Instituição Cultura.

“Juros não se reduz no grito” disse um economista conservador. Eu afirmo exatamente o contrário. Isto é, juros só se derruba no grito, na medida em que em nosso “capitalismo” racismo e juros são causa e efeito. E lula sabe disso. Por isso, ele gritou.

Quem oferta o capital no Brasil são os brancos, uma minoria inexpressiva. Os tomadores são os negros, uma maioria expressiva. O racismo impede que os detentores do capital confie nos tomadores, por isso o juros são alto. Na medida em que ele reflete a confiança entre os agentes.

O Professor Romilson Sousa afirmou o “Banco Central é o Banco dos Bancos”. Em sendo verdade, somos obrigados a concluir que mantendo os juros elevados, o BC está correto.  O oligopólio, a quem o nosso banco central atende, pertence a homens brancos.

Portanto, é preciso democratizar o acesso aos bancos e atividade bancaria, isto só será possível com uma luta contra o racismo.

 

Petrobras e os preços dos combustíveis

Primeiro é preciso ter em conta que a nossa Petrobras é uma empresa privada regida pela lei das SA, inclusive com cotação na Bolsa de Nova.

O monopólio é a mais evidente manifestação econômica do racismo. A nossa Petrobras não poderia ficar de fora. Não que a nossa empresa seja racista. Racismo é o outro ao outro. Não é nem institucional e muito menos estrutural. Em economês básico o monopólio faz o seu preço. Logo a Petrobras fará o preço dela independente do que nós, “donos”, dela queremos.

O preço do combustível não é responsabilidade da Petrobras e sim do mercado. Nossa empresa faz apenas seu papel de empresa monopolistas. Podemos seguir o modelo francês que, pensando na próxima guerra, vai reestatizar a EDF -  Électricité de France. Só assim as políticas pensadas pelas elites reformistas poderiam ser aplicadas.

A responsabilidade social que se pode exigir da Petrobras é concurso público com políticas de ação afirmativa.

Os dois temas discutidos mostram os limites do oligopólio e do monopólio dentro do processo de um “capitalismo periférico”. Por isso, estes limites só poderão ser ultrapassados através de um intensa luta pela instalação de uma sociedade que leve em conta a diversidade cultural.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Do terrorismo individual ao terrorismo coletivo

 Do terrorismo individual ao terrorismo coletivo, passando pelo discurso violento: a trajetória de um racista. Esta trajetória só se explica pelo apoio das elites culturais conservadora em sua facção reacionária.

O ex-presidente da república, agora turista nos Estados Unidos, teve uma vida profissional, tanto no exército, quanto no parlamento extremamente medíocre. Esta teve fim com uma promoção a capitão em função de uma “promoção” por afastamento. O afastamento foi uma decorrência da descoberta de um plano terrorista.

Com um discurso machista, homófobo, e sobretudo racista, o “excapitão” logrou a confiança das elites culturais, principalmente de suas facções mais implicitamente racistas. Estas, localizadas em setores estratégicos das comunicações, do financeiro, da indústria, do estado etc., por ação ou omissão, agiram de forma que o discurso “alterófobo” pudesse chegar ao topo do Estado. O avanço da democracia é o grande pavor desta elite.

Inconformado com a derrota, o ex-terrorista entra em depressão. Segue-se um longo silêncio, demonstrando não aceitação do resultado. Seus antigos insufladores, aqueles, que por ação ou omissão, o fizeram presidente, recomendam, na mídia, a aceitação do resultado e, em consequência, a transformação em líder da oposição em razão dos milhões de voto que recebeu. Sem alguma capacidade de liderança política ou militar, o derrotado se transformou em líder de uma organização terrorista.

Assim, o “excapitão” simplesmente retorna as suas origens, qual seja de terrorista, agora legitimado pelo discurso de ódio.